
É incrível pensar em como a vida se "desenrola"...
Nascemos praticamente sem nada, nús, geralmente apenas com o amor de nossos pais. Digo que apenas o amor de nossos pais porque são eles quem realmente nos acompanham, cuidam e nos dão carinho mesmo antes de nos conhecer de verdade. Outros familiares, amigos e afins nós conquistamos ao longo do tempo, uns mais rapidamente, outros até perdemos o amor...
A verdade é que nascemos na maior simplicidade do mundo onde somos capazes de nos comunicar mesmo sem dizer uma só palavra e um simples sorriso é capaz de gracejar até a mais dura rocha.
E o que acontece ao longo de nossas vidas? Acabamos nos apegado cada vez mais a coisas que se tornam primeira necessidade. Tais coisas, objetos que não nos faziam a menor falta, totalmente desnecessárias para a nossa felicidade... Os encantadores bens materiais.
Pois então chega uma fase da vida em que chegamos a viver em função desses "encantos". A cada dia queremos mais... Um celular touch screen, roupas de grife, uma tv de lcd, um carro da moda, uma grande casa... Nunca estamos satisfeitos.
Então o que fazemos? Estudamos, trabalhamos, nos especializamos e dedicamos a maior parte do nosso tempo em função de obter mais e mais dinheiro para comprar "nossas felicidades". Esquecemos daquela simplicidade, daquele amor, daquela satisfação em apenas um sorriso, um olhar... Deixamos e apreciar as belezas naturais da vida, do mundo...
Pois é... Um dia desses passei um feriado com minha namorada, longe da intensa vida urbana de uma metrópole como São Paulo na tentativa de esquecer um pouco o estresse da rotina já torturante que atrapalhava até o meu sono.

Escolhi uma cidade no interior do Estado de São Paulo, nem tão distante da Capital, em Joanópolis. Me hospedei em um hotel fazenda simples e cercado pela Serra da Mantiqueira.
Na primeira manhã, acordei cedo e ao abrir a janela do meu quarto, vi um imenso céu limpo e azul. Havia pássaros cantando, borboletas "cirandando"... mais adiante avistei cavalos caminhando lentamente e aquela bela paisagem proporcionada pela serra ainda não tão tocada pelos homens.

Aquele foi um grande momento de leveza e pureza. há muito tempo não me sentia tão bem. Aquela simplicidade natural que nós esquecemos e trocamos por computadores, iPod´s, celulares...
Sai para dar uma volta. Sentei debaixo de uma árvore e comecei a ponderar sobre algumas coisas... Entre elas, surgiu me questão de como encaminhamos nossas vidas. Passamos o tempo todo lutando com unhas e dentes para conquistar a matéria e no final acabamos por ter de nos refugiar no meio da simplicidade da natureza, seja no campo, seja na praia ou nas montanhas...
De que vale então tanto desgaste se no final acabamos voltando ao princípio de tudo?
Claro que as facilidades urbanas, as novas tecnologias e outras coisas da vida moderna facilitam nossas vidas, mas será que vale a pena viver apenas em função delas?
Pense bem se não é exatamente o que você faz? Vai me dizer que você está completamente satisfeito com o que tem? Que não queria ter um salário melhor para poder ter uma casa maior, um carro melhor, trocar seu guarda-roupas, comprar mais e mais e mais?
Pois é... Dinheiro é bom e EU também gosto e muito. Mas desde então não vivo apenas em função disso.
Pense um pouco mais na sua qualidade de vida. Você não precisa ter milhares de coisas para ser feliz. Algumas pequenas coisas podem fazer toda diferença.
Quanto tempo você dedica à você mesmo? Quanto tempo você dedica para o amor da sua família? Você colabora para pelo menos tentar preservar o máximo possível da nossa tão bela natureza? Você pensa que um simples costume ruim como o de jogar lixo na praia pode contribuir para que seu filho ou seu neto não possa ter o privilégio de apreciar a beleza do mar?
E aí? O que me diz?
Vamos ponderar...
